segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O Palhaço


Gostei muito de ler o texto sobre os palhaços que se segue, da autoria do nosso conhecido Mário Crespo. O azedume com que é escrito é por demais evidente, e não se limita a criticar só um palhaço, mas muitos. E para quem pensa que se safa da denominação, tenha bem cuidado, pois ao olhar para os seus próprios botões pode cair na partida do jacto de água do palhaço.

Eis pois, o texto (fonte, Jornal de Notícias).

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Cantoria

Ontem, como já aqui referira em momento oportuno, dediquei-me à causa Cork Simon Community por uma ou duas horas, cantando com um grupo canções de Natal na rua. Peguei na guitarra de Coimbra e fui improvisando umas melodias tentando não fazer muito má figura. Mas, neste meu objectivo de ser sossegadamente discreto, eis que aparecem duas peças daquelas que me deixaram ficar discreto, é verdade, mas nada sossegado.

A primeira, um mendigo que se dizia pertencente ao movimento, pedia-nos uns trocos à descarada. A nós, que estávamos a pedir trocos que provavelmente lhe seriam destinados. O homem estava a ser bastante incómodo para com todos, principalmente os que seguravam os potes das ofertas. Daí que um senhor voluntarioso de fora do grupo decide tomar parte da situação e pega no mendigo pelos colarinhos. Muitos de nós suspiraram de alívio face ao afastamento de tamanho maçador. No entanto, convenhamos que, quando mirámos de soslaio o senhor voluntarioso a imobilizar violentamente o pobre mendigo contra o chão, desejáramos que afinal ele ainda ali estivesse a chatear. Continuámos a tocar e a cantar, tentando não expressar demasiado o nosso choque.

O coro sentiu-se que nem peixe em água. Cantou e sentiu-se confortável o suficiente para começar a cantar sem esperar pelo tom dos instrumentos. Os instrumentistas, esses sim, estavam confusos com tudo aquilo e eram claramente o elo mais fraco. Se uns continuavam a tocar no tom que tinha sido acordado, já outros tentavam apanhá-lo a partir da melodia que pairava. Nessa altura, às cantadeiras polacas, irlandesas, checas e brasileiras, já só lhes faltava encontrarem parceiro para dançar. Batiam palmas e tocavam pandeireta enquanto sopravam nas flautas umas notas quaisquer. Outros havia ainda que arrumavam o instrumento na sacola, desculpavam-se da garganta e do frio e iam embora. A uma dada altura, finalmente, os instrumentistas acertaram com o tom. Tudo estava a correr bem e a musiquinha era mesmo bonita.

Mas apareceu a segunda peça. Ninguém diria nada da menina dos seus 20 anos, bem vestida e de cara alegre. Coloca-se exactamente ao meu lado, agindo como se pertencesse ao grupo há mais tempo do que nós, e começa a cantar em alta voz. Mas que voz! Mais alta do que qualquer uma das outras cantoras empenhadas. Mas esta voz não era normal. Tinha o cunho de deixar toda a gente a olhar para a personagem de cuja boca saía. Incrível e perfeitamente desafinada, mas tão perfeitamente desafinada que, após segundos de caos e confusão na minha cabeça e nos meus ouvidos, dei com toda a gente na rua a olhar para ela com cara de quem se pergunta "onde é que esta tipa estacionou a nave?" Ficou mais do que visto que era ela a estrela, e algumas das nossas cantadeiras invejosas acabaram por sugerir que atravessássemos a rua. Claro, toda a gente concordou, mas a estrela da companhia também decidiu acompanhar-nos. Ao fim de apenas 5 minutos é um dos nossos que acaba por pegar-lhe no pescoço e afastá-la dali. E ela bateu-se para poder ser readmitida durante vários minutos. Conseguiria uma segunda oportunidade se o frio e o cansaço não nos vencesse.

Fui para casa com a sensação de dever cumprido. Hoje já me sondaram para ver se eu faria mais destas. E eu, reticente... we probably need more than one rehearsal. Mais tarde recebi um email com as contas finais da acção de caridade: alguns 350€ em menos de duas horas. Bolas! Qualquer dia pego num bêbedo crónico e numa voz de rouxinol daquelas, perco o amor aos meus ouvidos e faço-me músico de rua profissional!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Problemas Mentais

Sou coagido a pensar que a maioria dos italianos tem problemas mentais.

Primeiro, um doente mental aproveita uma miniatura de Il Duomo para partir a cara ao presidente do Consiglio italiano.

De seguida, outro tipo com um problema mental, segundo supostas palavras dos responsáveis pela segurança do Ministro, tenta invadir o edifício onde este se encontra a recuperar das mazelas sofridas. O tipo tinha dois sticks de hóquei escondidos no carro, não fosse dar-se o acaso de conseguir raptá-lo e dirigi-lo para dentro do veículo, partindo a cara ao líder italiano pela segunda vez em pouco tempo.

Havendo atentados de doentes mentais contra a saúde do ministro, posso facilmente deduzir que mais como estes haverá espalhados pela Itália fora.

Mas, claro, este número de doentes mentais é insignificante face ao resto dos que existem naquele país.

É que, primeiro e acima de tudo, é preciso ser-se doente mental para se votar naquele ministro italiano.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Natal na Irlanda, em Casa

Pela segunda vez seguida, o Natal vai ser passado em plena Irlanda. Com uma diferença, no entanto. Diz-se que se Maomé não vai à montanha, virá a montanha a Maomé. Pois bem, assim será. A minha família virá até Cork, onde permanecerá uns dias. Haverá, portanto, uma consoada bem interessante, espero eu.

E aproveitarão para visitar o país Esmeralda, onde nunca haviam estado antes. Rica prenda recíproca, digo eu!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Christmas Carols


Ontem acedi ao pedido feito pela directora de Recursos Humanos da minha empresa para tocar canções de Natal no próximo dia 17 de Dezembro. Um gesto nobre inserido numa acção de caridade, razão por que pensei "e porque não aceitar a proposta?". Disse que sim. Ela perguntou-me o que é que eu podia tocar; eu disse-lhe "guitarra portuguesa" e ela responde "fantástico" e eu reajo, para comigo "em que é que eu me fui meter..."

Primeiro problema: mais de metade das cançõezinhas de Natal que constam da lista são-me completamente desconhecidas. Aprendi muitas, é verdade, mas são em língua portuguesa. Vamos lá ver no que é que isto dá, principalmente sabendo que os tocadores de guitarra são poucos e eu não sei se eles percebem o suficiente para me dar alguma ajuda.

Segundo problema: eu disse-lhe que tocaria guitarra portuguesa. Eu estou a aprender guitarra portuguesa, não sou propriamente um expert nem consigo, pelo menos com a facilidade de uma viola ou de um bandolim, improvisar notas e acordes com à-vontade. Porque é que eu lhe propus tocar com a guitarra portuguesa?

Terceiro problema: chuva. É possível que chova. Eu não gosto de tocar à chuva. Que é que se pode dizer? Fico molhado! E, para mais, o que é pior, a guitarra pode ficar molhada! Tocar à chuva duas horas para pedir uns trocos é coisa que eu nem quero imaginar poder estar a fazer dentro de pouco mais de uma semana.

Às vezes pesamos os prós e os contras e decidimo-nos por algo. Mas desta vez nem pensei muito bem em contras. E voltar atrás na palavra seria muito mau. Por isso, a decisão está tomada. Mas ai de alguém que me falar no conforto da casa, na lareira acesa e nos pés descalços em cima dos chinelos apanhando com o bafo quente das chamas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Safanão

Era previsível. Disse, aquando do minha primeira mensagem neste blogue, que poderia haver uma época apoteótica de frenética actividade e, eventualmente, o apagar da chama de um homem que deixou de ter Também Tu como novidade ou, tão simplesmente, a preguiça do próprio em exprimir aquilo que lhe pareceu um padrão de vida aborrecido e, por isso mesmo, indigno de confissão pública. Hoje, dou uma lapada na minha própria face.

Muito haveria que contar desde que deixei de submeter as minhas impressões sobre o que me rodeia. Mas, sobre o que ficou por contar, nada tenho a afiançar. A não ser que tal aconteça resultado dos vários pares de cerejas que puxo da cesta.

A primeira tarefa desinteressante a assinalar é adicionar o blogue aos meus favoritos (ninguém me mandou formatar o computador em tempo de inactividade). A partir daí, espero que toda e qualquer tarefa desinteressante possa parecer útil ou agradável a quem tenha bontade de ler o Também Tu.

Vamos lá a isso!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Senhora do Almortão

Perdoe-me quem vem cá muito e tem visto pouco. Hoje cá meti a posta, finalmente. Depois de certas discussões políticas que me incomodaram a alma, achei importante deixar patentes os seguintes versos:

Senhora, senhora do Almortão
Senhora do Almortão
Ó minha linda raiana
Virai costas, virai costas a Castela
Virai costas a Castela,
Não queirais ser castelhana.

Senhora, senhora do Almortão
Senhora do Almortão
A vossa capela cheira
Cheira a cravos, cheira a cravos cheira a rosas
Cheira a cravos, cheira a rosas
Cheira à flor da laranjeira.

Senhora, senhora do Almortão
Senhora do Almortão
Eu p'ró ano não prometo
Que me morreu o amor, que me morreu o amor
Ando vestida de preto.

domingo, 2 de agosto de 2009

Coimbra Hoje

Eu já me queixara da Coimbra dos anos 90, de que poucos morcegos tresloucavam a cidade, porquanto ondas incomuns de japoneses tirassem fotografias indiscriminadamente sobre tudo quanto vestia negro. Sortudos esses, que chegaram uns anos antes do completo folclorismo conimbricense sazonal. Hoje chegou-me um par de turistas a mandar vir porque Coimbra de Universidade tem muito mas de estudantes não tem nada. Contrapus com a parte das férias. Que há poucos. E que os poucos que há estão a estudar. Mas eu sei que naquela altura era outra coisa. Coimbra no Verão a arder vestia capa e batina. De Coimbra fica, hoje em dia, o mármore. Porque a pele, não há prova viva de que a haja. Os estudantes acabaram. Agora existem as "pessoas que estudam". Que me perdoe quem lute contra a maré, mas não há um único estudante de Coimbra hoje em dia que mereça esse mesmo respeito.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Viagem a Cluj




quinta-feira, 18 de junho de 2009

Próxima Viagem - Cluj e Budapeste



Daqui a uns dias estarei em Cluj-Napoca, Roménia. Na calha, uma semana na companhia de amigos da In Vino Veritas. O Oube Lá, o nosso romeno, vai casar! Entretanto, aproveitarei também para dar um desvio até Budapeste, Hungria. Adivinha-se farra, guitarradas e uma bela estadia na primeira visita a países do leste da Europa.



quinta-feira, 4 de junho de 2009

Os Peles-Vermelhas

A Irlanda parece um filme do John Wayne. Com a última onda de calor, tende-se a andar de tronco nu e a ir à praia. Muitos vão sofrendo com isso. Feliz ou infelizmente, não faço parte de um caso desses.

Até aqui a crise tem uma palavra a dizer. Segundo o Irish Indepent, a contenção de despesas ainda conseguiu enfeitar muitos dos peles-vermelhas com bonitos e possivelmente cheirosos adornos.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Europeias 2009


Aqui está o meu mapa ideológico-político de hoje em relação à Europa e a Portugal. Recebi o link do meu amigo Also Known As por correio electrónico. O site é o do EU Profiler, para quem quiser responder ao mais-ou-menos breve questionário. Sendo sinceros, podemos ter surpresas. Eu tive uma surpresa. O facto que menos me surpreende foi o de o meu resultado corroborar, em parte, a razão pela qual tenho votado em branco nas mais recentes eleições em Portugal. E, claro, se me der ao trabalho de votar em Dublin (pouco provável), votarei exactamente o mesmo. De realçar o facto de me encontrar mais perto do PP e do BE do que dos partidos maioritários portugueses. De realçar ainda mais o facto de me encontrar afastado de tudo. E esta, hein?

sábado, 16 de maio de 2009

Queima das Fitas 2009



quinta-feira, 16 de abril de 2009

Os 4 Fraquinhos Países

Parece que Portugal e Irlanda andam com o mesmo problema, assim como Luxemburgo e Espanha, países onde o preço dos bens não se aguentou das canetas e fez o favor de descer. Como já vi em vários cartazes publicitários aqui na cidade de Cork, Happy Recession! Seguramente a deflação atingirá em breve outros países europeus, mas desta chegámos no pelotão da frente, hã?

Só me queixo que ando a gastar o mesmo dinheiro que gastava antes. Quem sabe até mais? Ah, well... Fora as brincadeiras, prevejo tempos (ainda mais) difíceis a nossa frente.

A Minha Última Barrigada de Riso

Eu já conhecia muitas coisas do Eddie Izzard, mas nunca tinha visto a última, que me fez chorar a rir como não rira há muito (mesmo muito) tempo. Depois do clássico do do you have a flag? ou de cake or death, este ich bin ein berliner partiu tudo. Completamente!


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Música de Intervenção

Aparentemente há quem se preocupe em assinalar a situação caótica do meu país cantando uma canção intitulada Sem Eira Nem Beira, agindo que nem um cantor pré-revolução, mas utilizando uma letra não tão conotativa. A canção em questão corre na língua do povo, pelo que li. A referência directa ao senhor engenheiro, aparentemente, foi negada como tal pelo próprio Zé Pedro dos Xutos e Pontapés. Só isso será condicionante suficiente para poder presumir que os próprios Xutos temam represálias dos meninos que estão no poleiro a brincar à política.

Até nem gosto de Xutos e Pontapés. Mas devo dizer que ouvi a canção duas vezes antes de poder desabafar estiveram bem. Só não compreendo é o porquê de um povo tácito tanto tempo. Até parece que, numa sociedade em que se pode expressar livremente, tem de se esperar por música interventiva para se poder falar contra os senhores engenheiros que conspurcam o país. E até a música de intervenção teve de ser comentada pelos próprios com cautela. Enfim. Com o devido respeito, quando é que vem o Humberto Delgado?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Páscoa na Irlanda

A quadra pascal na Irlanda tem que se lhe diga. Tenha-se em conta que eu trabalho aos feriados e não estou tão atento aos dias off como estaria se tais dias estivessem de portas cerradas no local de trabalho. Ainda assim, lembrei-me da Sexta-feira Santa, dia de penitência dos cristãos por excelência.

Primeiro que tudo, assinalo que sou cristão católico, não tão praticante como isso, mas minimamente devoto. A Sexta-feira Santa, na minha opinião, é um dia em que o cristão deve introspeccionar-se e esforçar-se por ser humilde, tendo em conta o exemplo que Cristo deu e o legado moral revolucionário que nos deixou. Um não-cristão não se rala com isso, e não será impedido de fazer uma introspecção, quando bem entender, acerca da sua vida.

Na Irlanda, na Sexta-feira Santa, é proibido vender álcool. No país dos bêbedos não há tréguas para com os que não querem saber de actos de penitência. Nem para com os que querem comprar uma garrafa de vinho para temperar a carne, como me aconteceu.

Se o leitor se queixa do exagerado poder eclesiástico influenciando o Estado Português, medite bem na retrógrada Irlanda nesse aspecto. O país que legalizou o divórcio nos anos 90 continua bem convencido de que é possível salvar os irlandeses proibindo-os de beber durante um dia por ano.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

The Gentle Art of Making... Friends

Cá estou eu na nova casa, velhinha, aprumadinha, pequenita e confortável. Cozy small house. Para já, somos três. Para a semana que vem seremos um a menos, como era meu desejo. No entanto, com ou sem imensa pena minha, o Guillermo parte para a Argentina para a semana que vem. Fico mais à vontade, é um facto. Mas perco um amigo que seria fantástico; uma pessoa agradável, respeituosa, sociável. Para mais, um grande apreciador de Mike Patton e de Faith No More. Descobri-o hoje em conversa, quando estávamos a botar uns copos no Crane Lane. Porra. Foi o primeiro apreciador de Mike Patton que descobri. E vai-se embora numa semana.


sexta-feira, 3 de abril de 2009

Marco Miliário II

Faz hoje um ano que cheguei a Cork em busca de uma vida decente. Muito se passou entretanto, a minha vida mudou completamente e, depois do meio ano experimental, cá estou eu alongando a estadia por mais uns tempos.

Se me sinto bem? Sim. Se sinto saudades de Portugal? Sem dúvida. Se penso em regressar? De férias, sim, no próximo dia 2 de Maio por uma semaninha. Mas regressar de vez é coisa em que nao penso.

Chegou portanto a hora de edificar um novo marco miliário nesta estrada. A mudanca de casa ficou consumada a noite passada. Agora, que venha daí mais um ano!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Meia-Mentira

Pois trata-se agora da verdade sobre a meia-mentira de ontem. É um facto que mudarei de casa (aliás, já mudei), mas continuarei aqui em Cork. Tudo o resto foi a pequena peta tradicional do 1 de Abril. E também deve ser verdade que os posts rareiem nos próximos dias, uma vez que o disco do meu computador teve um pequeno problema no sistema operativo e tenho de ver se arranjo a coisa (se possível sem ter de instalar um novo sistema).

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Suécia é a Próxima Paragem


E cá vai a mudança de casa. A partir de depois de amanhã, aviadas que já estão as malas, estarei em Estocolmo, Suécia, para responder a uma oferta de trabalho do Sheraton Stockholm Hotel. Estarei intimamente ligado ao mercado ibero-americano, dedicando-me aos clientes de línguas portuguesa, espanhola e francesa.

Fiz uma festa de despedida apressada hoje com o meu pequeno núcleo de amigos de Cork. Mats Olssen, o meu futuro supervisor, está cá na Irlanda, aproveitando uma visita ao Sheraton Fota Island em Cork, e acompanhar-me-á a Estocolmo, capital sueca. Ele próprio já teve a oportunidade de me chatear com o último Portugal-Suécia no fim de semana, razão pela qual nos embebedámos solenemente na Embaixada de Cork. Espero sinceramente que não me chateie tanto como nesse dia.

O Também Tu sofrerá uma remodelação à sueca nos próximos dias, assim que arranjar internet no meu apartamento na Fredsgatan. Até lá, rarearão as entradas no blogue.

terça-feira, 31 de março de 2009

Custa!...

Pois custa. Mas vai ter de ser...

domingo, 29 de março de 2009

Selecção Sem Futuro


Nesta entrada, há pouco menos de um ano, previ o que ontem acabou por acontecer. A Selecção Portuguesa de Futebol está a voltar aos tempos de antigamente. Calculadoras na mão, jogando bem e não marcando golos, sem qualquer cultura de vitória. Vamos ser, mais ou menos resignadamente, os pequeninos que sempre fôramos. Este empate com a Suécia foi, para mim, a machadada final.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mudança de Casa

Finalmente, tudo aponta para que eu mude de casa na semana que vem. Para um sítio onde me sinta mais confortável e com mais privacidade. Já me perguntaram (e, claro, também já me perguntei a mim próprio) como é que consegui viver tanto tempo - quase um ano - a partilhar casa com tanta gente. Não foi demasiado difícil, posso dizê-lo, mas confesso que me sinto aliviado por poder sair daqui na semana que vem.

O pior é mesmo começar a empacotar e dedicar-me à mudança. Um suplício, garanto. E nem a benesse de poder ter um carrito para mover as coisas de um lado para o outro me conforta. No próximo dia 3, se tudo correr bem, já estarei instalado na nova casinha.

domingo, 22 de março de 2009

Irlanda Vence Torneio das Seis Nações

Saí na última noite para festejar. Em parte, deveu-se à vitória do torneio das Six Nations, que deu a vitória à República da Irlanda. Nunca fui o maior apreciador de rugby do mundo, mas eis o melhor de um jogo que teve tudo o que, por exemplo, o Sporting - Benfica da noite passada não teve:


Passeio Domingueiro em Cork






terça-feira, 17 de março de 2009

Feliz Dia de São Patrício!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Noite dos Balcãs

Bom, ainda que não tenha sido a noite mais bem passada de sempre, foi uma noite muito divertida e cheia de ritmo. O grupo de excelentes tocadores era natural de Cork - e, como tal, integrador de gente das mais variadas nacionalidades, muito embora desconfie que houvesse alguém natural da zona em questão. De quando em vez, havia música que, nem sei bem por que carga d'água, soava a irish traditional. Coisa de pouca importância.

Os pés de dança seguiram-se e garanto que já não dançava tanto desde que... nem me lembro. Saí do Crane Lane banhado em suor. A Patrícia e a Manon fizeram o mesmo uns minutos mais cedo que eu, que aproveitei para descansar e mandar dois dedos de conversa com um ou outro companheiro conhecido.

Só uma coisa a assinalar... para a próxima noite destas, o dia seguinte havia de ser dia off. E faltam as fotos porque me lembrei de levar uma máquina fotográfica sem bateria no bolso...

terça-feira, 10 de março de 2009

Crane Lane - Música dos Balcãs


Será já amanhã que vou ao Crane Lane ver e ouvir um grupo dos Balcãs. Desde que comecei a prestar atenção às produções cinematográficas de Emir Kusturica que me tornei num grande apreciador dos sons da região. Não sou pessoa de pagar bilhetes para entrar em concertos (sempre tive conhecidos que me conseguiam arranjar uma borla ou um desconto especial), mas desta vez a coisa acaba por ser diferente. Lá estarei, até porque nem é muito caro. A expectativas, claro está, são altas. Nunca vi coisa de que me arrependesse no Crane Lane.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Os Dias de Marca

Não deixo de assinalar hoje o Dia da Mulher. Aquando dos choque de copos, ninguém se esqueceu das personagens femininas que teimam em fazer história como Mulheres com M maiúsculo. A primeira mulher de referência, claro está, é a minha mãe. A seguinte é a mulher de jeito. A que não tem vergonha de um vitupério qualquer. Aquela que é mulher de coragem.


domingo, 8 de março de 2009

Há Dias em que Vale a Pena!


Como muitos dias houve anteriormente, este é daqueles em que uma pessoa fica satisfeita. Vale a pena ter amigos portugueses em Cork! Daqueles que dizem o que pensam, falam o que pensam sem problema de maior e sem risco de serem censurados por causa de simples discórdia. Isto é o verdadeiro SPQR (Senatus Portuguesis Qui Regnat). O Senado que Reina! Comemos Bacalhau à Gomes de Sá, bebemos café decente e passámos a tarde mais portuguesa do mundo!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Neve na Irlanda

Pois é. Estas ondas de frio andam a ficar frequentes pela Europa. Finalmente ontem tive a oportunidade de levar com farrapos de neve pela boca dentro, depois de um jantar na casa da Isabel, numa espécie de tertúlia que se tem reunido recentemente desde há umas semanas para cá. Ainda cheguei a acreditar que pudesse pegar, ontem à noite, dada a força com que nevava. Mas esta coisa de Cork se encontrar perto do litoral, numa zona fluvial, acaba por contrariar o nosso desejo subconsciente. Mesmo assim, já não foi demasiado mau.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Regresso dos Faith No More

E não é que os Faith No More estarão de regresso, ainda por cima ao continente europeu? Ena pá, que loucura! É dos poucos grupos aos quais darei dinheiro a sério para vê-los ao vivo! Ficarei atento. E farei de tudo para não perdê-los!


sábado, 28 de fevereiro de 2009

The Air-Condtioned Nightmare

Muitos dos leitores regulares sabem que sou um grande apreciador de Mr Bungle, um dos projectos nos quais participa o grandioso Mike Patton. Pois bem. Hoje, quando tentava dar título a um email a enviar ao meu supervisor no trabalho, não podia ter saído melhor que o título de um dos temas de Mr Bungle: The Air-Conditioned Nightmare.

Razão? Claro, o ar-condicionado que me deixou adoentado três dias. Já não bastara haver por aí uma espécie de surto de gripe, que um dos ventiladores perto da minha secretária deu em abrir a boca com mais força do que o costume. Hoje, em regressando ao trabalho depois de três dias doente, eis que o filho-da-mãe lá continuava a mandar as suas baforadas frescas mesmo nas minhas fuças. Recomecei a tossir após pouco mais de meia-hora exposto ao ar-condicionado. Pois bem, nada melhor do que mudar-me, por minha livre iniciativa, para o lugar de "alguém". Basta. Não volto a sentar-me no mesmo sítio até que alguém arranje aquilo. Querem matar-me dos pulmões, só pode. É que se fosse a primeira vez que me tivesse queixado...


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Nocturno Taciturno

Hoje saí à noite, depois de um dia duro de trabalho e antevendo um dia de folga nesta quarta-feira. Fui, como de costume, ao Crane Lane, onde, a partir da meia-noite, tocava um artista de rythm & blues. Dos bons, como de costume. A frase da noite, pelo próprio: And here we are, at the Crane Lane, in the middle of the recession. Foi desabafada depois do primeiro tema, aplaudido timidamente pelos poucos que já ocupavam a sala. O resto de espectáculo passou por tentar esquecer a frase do senhor da guitarra. Sem assobios de reprovação, sem aplausos de maior. Que raios, Cork anda estranha. E nem os estudantes da UCC disfarçam.

Atravessei o rio Lee em direcção à margem norte sem a gente alegre do costume a inundar a ruas. A vida corre-me bem por cá. Não o nego. Mas tenho a consciência do que é uma mudança repentina na vida das pessoas. E já sei bem o que é viver o problema dos que têm dificuldade em ter emprego. Ninguém por cá está indiferente à situação. Que é séria, diga-se.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Óscares 2009



Mais uma vez, não partilho da opinião do júri quanto ao filme do ano. Slumdog Millionaire é, quanto a mim, pouco mais do que um filme de domingo à tarde - não é que seja mau, mas também não passa do bom. Sem originalidade e apenas com a componente "exótica" indiana; passaria despercebido, na minha opinião, se se passasse na América ou Europa. Além disso, um happy ending de toada alegre dirigido a um mundo acabado de levar com o safanão da crise económica (talvez, por isso, relevado para outra categoria a que não pertenceria se a época fosse outra). Já acerca do The Curious Case of Benjamin Button, gostei muito mais. Pareceu-me um filme completo que, apesar da falta de suspense como um dos seus principais contras, ultrapassou em quase tudo o concorrente directo de produção inglesa.

Em conclusão, não acho que este tenha sido um ano de excelentes filmes. Seja como for, isto são opiniões, e cada um tem as suas. Para além do mais, poderei estar a pecar um pouco por falta de informação e estar a dizer uma grande asneira, visto que, quanto aos restantes filmes mais empolados no festival, não vi nenhum deles. O próximo será o Grand Torino, um dia destes. E o Milk também é daqueles a ver o mais rapidamente possível. Devo dizer que espero mais de qualquer um destes do que do Slumdog.

(e um último edit para dizer que o prémio de fotografia nunca estaria bem atribuído a não ser a Blindness, do Meirelles, que conseguiu fazer alongar o espectáculo fotográfico que eu já conhecera em A Cidade de Deus).

José Afonso, sempre

Fez hoje 22 anos que faleceu o nosso Zeca Afonso. Uma referência na música portuguesa à qual faço homenagem no Também Tu, com dois vídeos a condizer, um com o clássico fado de Coimbra Saudades de Coimbra e outro do tema Redondo Vocábulo com uma animação 3D que considerei muito interessante.



domingo, 15 de fevereiro de 2009

Faro Luso

Tenho tido muito que dizer, mas pouca vontade de o proclamar. Assim sendo, remeto-o ao grande Júlio Pereira, uma das minhas principais influências do bandolim. Trate-se este post como uma tentativa de quebrar o interregno de mensagens. O Júlio Pereira sempre teve um problema sério na questão de gostos musicais. Neste caso, parece-me que entre os minutos 2m40 e 3m20 não há ponta por onde se lhe pegue, mas que o instrumentista é bom, isso ninguém pode negar.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Portugal vs Irlanda - O Café


O viciado em bom café não deve vir para a Irlanda. Esqueça. Não há bom café por cá. Diz-se que o processo de torrefacção é diferente, que os grãos são mais torradinhos em Portugal. E é bem capaz de ser verdade. Por muito bons sítios que haja em que se possa estar a beber um café, como o Cork Coffee Roasters, por exemplo, o próprio café deixa muito a desejar.

Uma bica por cá é um espresso. Em vez de custar 50 ou 60 cêntimos, ronda a módica quantia de 2€. Vem quase frio e é intragável, principalmente quando não se está habituado a ele. Este é o motivo pelo qual, assim que ponho os pés fora do aeroporto de Lisboa, me dirijo ao café mais próximo.


O único café interessante será o Irish Coffee. Curiosamente, gostei muito, mas a única vez que o provei foi em Portugal. Logo, não posso concluir grande coisa quanto ao irish coffee feito na Irlanda.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Asneiras Socráticas I

Como se já não bastasse que a situação do país me fizesse abandoná-lo, ainda me vêm propor que não se possa votar fora dele. Isto a ficar está bonito. Está, está.

Seja como for, vale-nos, para já, o veto do Presidente da República.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Regresso

E cá estamos a preparar-nos para regressarmos a Cork. Na bagagem, um upgrade ao meu velhinho PC (8 GB de memória RAM e placa gráfica nova) e alguma música portuguesa para poder ouvir e oferecer: Júlio Pereira, Janita Salomé, Pedro Caldeira Cabral, Madredeus, Camané, Brigada Víctor Jara, entre outros.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Après Fim-de-Semana

O LeiriaCon terminou. Não tendo ainda fotografias comigo, parece-me oportuno fazer um relato do excelente evento deste fim-de-semana um pouco mais tarde, quando as tiver. Agora, tenho mesmo é de me despachar e fazer as coisas de que preciso. Mas já estou a ver que não vai ser fácil.

Tempo ainda para dizer que me encontrei ontem em Porto de Mós com o meu amigo da Oitava Estrela e o grande Cheese. Contámos todas as novidades de que nos lembrámos e falámos do futuro que aí está à porta. Quiçá, talvez eles vão visitar Cork um dia destes. Serão certamente muito bem-vindos!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

LeiriaCon... e mais!


Amanhã torno a Portugal por uma semana. Apesar do tempo não ser convidativo, há muito que fazer por lá. Primeiro que tudo, participar no LeiriaCon 2009. Aproveitarei também para tratar de outros assuntos pendentes. E divertir-me-ei tanto quanto possível.

Nos entretantos, os pedidos do costume: cigarros, azeite, bacalhau, queijo, chouriço, vinho verde e - a pedido do Kay - imãs de frigorífico. Época baixa deu em preço baixo: nunca paguei tão pouco por uma viagem até Portugal, menos de 100€. E afaste-se o cenário de crise como justificação para a pechincha, porque já andei a espreitar os preços para Maio e estão praticamente o dobro!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Meia Hora de Neve

Hoje despertei tarde. Quase tarde demais. "Bolas!" terei pensado "já vou chegar atrasado!". Abri as cortinas e fui quase cegado por um raio de luz invadindo o quarto imediatamente. Um belo dia de sol adornava os edifícios coloridos de Cork.

Embalado o mais possível, preparei-me e saí em direcção à McCurtain Street. O dia estava brilhante, e o frio sentido ultimamente na cidade parecia dar finalmente tréguas. Óptimo para quem se habilita a ficar mal disposto quando tem de se despachar à pressa.

Umas horas depois, chovia à brava. E, em constatando isso, respondem-me que já hoje nevara durante meia hora, pela manhã. Claro que não terá sido suficiente para acumular uma pequena camada de neve, mas, raios, sempre gostava de ter visto tamanha proeza da natureza.

E fica assim (mais uma vez) confirmado que num dia em Cork podem perfeitamente ocorrer quatro estações.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Fantasma do Desemprego


Não é preciso ser um grande intelectual para nos apercebermos do quão má está a situação nos dias de hoje. A Irlanda está a cair abruptamente no abismo. São milhares de despedidos todos os dias. Há uns quantos, em Cork, havia filas de milhares de pessoas esperando pela sua vez no Social Welfare. Começavam ali e estendiam-se, segundo ouvi dizer, até à UCC (Universidade de Cork), uma distância inimaginável para quem tem frescos na sua mente os dias do Celtic Tiger.

As pessoas estão preocupadas e pessimistas, até mesmo o velho irlandês-tipo sorridente. Notícias sobre despedimentos ocupam páginas e páginas de jornais todos os dias. Parece que até se esperou que chegasse 2009 para agudizar o problema.

Eu, embora não pessimista em relação à minha situação, estou a ficar também preocupado. Vai-me valendo o facto de falar fluentemente quatro línguas, coisa de poucos. Utilizo três línguas no trabalho e estou disposto a começar a dar-lhe também no francês entretanto, para ser considerado uma mais-valia.

Em todo o caso, já comecei a tecer planos alternativos, se vier a suceder o pior. E Portugal não é o plano B, com toda a certeza.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Cascalho

É curioso que na Irlanda ando com muito mais cascalho - moedas de 1 e 2 cêntimos - do que andava em Portugal. Há dias em que tenho dó da minha pobre carteira, pesada e cheia de moedas que teimam em desaparecer. Tenho de começar a admitir que pagar com cascalho desenvergonhadamente não constitui motivo de aborrecimento para quem quer que seja. Ao contrário do nosso país, em que dar de troco moedas de 1 e 2 cêntimos pode ser, por si só, chatice para o consumidor ou vendedor.

Não sei que dia decidi despejar o porta-moedas e contei 27 cêntimos em miúdos! Raça, mais 23 ou 28 e já dava para deixar de mau humor o dono de um qualquer café em Leiria.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

To Read or Not to Read


Há quem franza o sobrolho admirado quando me ouve dizer que não leio livros em inglês. Bom, reconheço que ler em inglês certos livros cujo autor(a) escreveu na sua língua-mãe seria, do ponto de vista literário, mais interessante. Mas o facto é que ler em inglês não me dá metade do prazer. De que vale, portanto, teimar em fazê-lo?

Digo isto no momento em que leio um marco (três, melhor dizendo) da literatura inglesa do século XX: O Senhor dos Anéis, do famoso JRR Tolkien. Há tanto tempo que me tinha proposto a lê-los, que finalmente me decidi a folhear as suas páginas, absorvido pelas aventuras de Frodo Baggins e companhia.

Mais uma vez, reconheço que a experiência poderia ser diferente se os lesse em inglês. Mas a fluidez? O prazer de "comer as páginas"? Não me parece que tenha inglês suficiente para fazê-lo com a facilidade com que o faço em português. Talvez um dia. Mas esse, ainda terá de esperar...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Depressões de Inverno

Estava a terminar um Pandemic a solo para me ir entretendo quando ele abriu a porta. Meio torto, cambaleando ligeiramente. How's it going, Kay? respondeu-me que bem, mas a cara não enganava. Parecia triste. Sentou-se à minha frente, perguntou que jogo era e, terminada a conversa de circunstância, liberta um I'm drunk. So sorry.

O Kay é o coreano que vive em minha casa. Instalou-se aqui há cerca de dois meses, mas está na Irlanda há uns sete. Veio para aprender inglês, como muitos da sua nacionalidade fazem, inclusive a Hosun, coreana que também por cá vive. Mas expressar-se em inglês é, para ele, um verdadeiro suplício. Confesso que não é fácil ouvi-lo sem tentar adivinhar em voz alta o fim das frases que se mantêm inacabadas à falta de vocabulário.

Naquele dia, o Kay meteu-me pena. Com uma lágrima a teimar permanecer no canto do olho, desabafou-me que pensava em ir-se embora porque não conseguia estar aqui bem. As pessoas são diferentes, a cultura é diferente, o trabalho dele não é o melhor do mundo e sente-se misérrimo. O inglês dele nunca melhorou muito. Não é segredo nenhum que os povos asiáticos têm extrema dificuldade para aprenderem línguas europeias, na mesma medida em que os ocidentais se vêem à rasca para encetarem uma conversação básica em mandarim ou coreano. Tentei injectar-lhe moral, mas não sei se ele vai permanecer por cá muito tempo. Vejo-o muito triste, ultimamente. Sente-se só.

No dia seguinte, proponho-me beber duas garrafas de vinho com o Lukasz, polaco aqui da casa. A meio da segunda, balbucia que a sua viagem, no dia 23 de Janeiro, à Polónia, poderá ser uma viagem sem retorno.

O Lukasz é exactamente o oposto do Kay. Está há cinco anos na Irlanda, sem problemas de adaptação, com amigos, fala inglês pelos cotovelos (até apanhou Cork accent) e tem uma amiga especial há uns meses que o faz andar feliz da vida. Pergunto-lhe o porquê. Responde-me que está farto da Irlanda, que foi já tempo demais. Acima de tudo, que tem saudade do país dele. Que pensa em pedir um empréstimo para se meter num negócio. Em ano de crise? Contraponho eu - tenho conhecimentos com pessoal de bancos polacos, responde ele. Como queiras, digo. E dou com ele pensativo nas suas palavras, calado, meditabundo, olhando fixamente para a parede branca.

Não sei se estas coisas são depressão de Inverno ou não. Diria que sim. Talvez um outro Inverno na Irlanda me faça ter a certeza.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Bitter Cold

Tem estado frio quanto baste por cá em Cork. Há umas duas semanas em que a chuva é pouca (pouco usual para esta época do ano) e o frio é aquele a que os irlandeses chamam bitter cold. Daquele que enregela os ossos e nos invade pescoço abaixo, principalmente quando se atravessa o rio Lee. Brrrr...

Pelo que li, as coisas não estão muito melhores em Portugal. Espero que o final de Janeiro esteja melhor, já que é altura de fazer uma nova visitinha ao meu país.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Tarde de Jogos

Hoje foi dia de Pandemic e de Antike. Eu e o Zé não conseguimos deter a infestação de doenças na América do Sul, e vergámo-nos à derrota, devido às pragas constantes naquela região. O Antike já teve a presença do Paulo, líder da civilização grega, comigo à frente dos bárbaros da Germânia e o Zé representando o Senatus Populusque Romanus. No fim, a vitória coube aos incivilizados ao meu comando, muito força da minha experiência de jogo.


Foi uma prazenteira tarde, onde se comeu um chouricinho e um queijo da serra terrivelmente bom, regado por um vinho tinto que ainda enche o meu copo a esta hora. Mais encontros como estes são desejáveis!

domingo, 4 de janeiro de 2009

A Alcateia Vive!


Muito me agradou saber que o Alcateia Teatro, afinal, não terminou. Embora reme contra a maré, agora sem o apoio da Associação de Artistas e Artesãos Oureenses, continua motivada a seguir em frente.

Encontrei-os em Ourém, prontos para um ensaio. Com encenador novo (um dinâmico aluno de Teatro da ESEC de Coimbra), lá vão eles fazendo os seus exercícios como podem. Espero poder ver o produto final da próxima produção deles em breve. Muita força!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Novo Ano em Nova Terra

Tenho andado preguiçoso para manter o Também Tu actualizado. Perdoe-me o leitor frequente. Quis a quadra natalícia pôr-me especialmente mal disposto. Digamos que não foi um Natal muito bom, e o próprio Ano Novo, preferia tê-lo passado noutro sítio. Sinto que devia fazer um pequeno relato da minha a viagem a Portugal, já que essa foi bem mais agradável do que o Natal. Ainda assim, as fotos continuam na máquina fotográfica, e a vontade de descarregá-las para o computador é nula.

Em recuperando a vontade de escrever, tratarei de deixar o Também Tu com pormenores sobre a minha passagem pré-natalícia em terras lusitanas. Para já, desejo um excelente Ano para toda a gente. E o que eu não daria por uma fatia de um bom bolo-rei na próxima segunda-feira!