quinta-feira, 10 de junho de 2010

De Portugal, As Novas

Recebi de Portugal um email inesperado, ao qual respondi (clicai para mirardes a maravilha):



Rui Henriques to Portal das Finanças
03:02

Caros Senhores da Direcção-Geral dos Impostos,

Ganhei zero nesse ano e não tenho, infelizmente, merda nenhuma a declarar, razão pela qual saí do país.
Hoje vivo melhor e sem problemas. Faço turismo em Portugal para matar saudades dos que me fazem falta. Continuo esperançoso de que um dia os serviços públicos de Portugal sejam decentes. O vosso simpático email para mim é nada mais que um acordo ortográfico. Nulo. Sede bem-vindos à minha casa na Irlanda. Não há vinho, mas podeis trazê-lo, como convidados que sois. Tenho bacalhau. Salgadinho, à portuguesa.

Obrigado,

Rui Henriques

2010/6/9 Director-Geral dos Impostos <info@dgci.min-financas.pt>
- Mostrar texto citado -


Caro(a) contribuinte Rui Miguel Rosa Henriques, NIF xxxxxxxxxxxxxx,

A Direcção-Geral dos Impostos está a proceder ao controlo do cumprimento da obrigação de entrega da declaração de rendimentos Modelo 3, do ano de 2007. Na sequência desse procedimento foi detectado que a sua declaração de IRS relativa a esse ano não consta da nossa base de dados, pelo que brevemente lhe será remetida, via CTT, uma notificação dando-lhe conhecimento formal dessa situação.

Poderá proceder à entrega da declaração em falta por via electrónica no Portal das Finanças em www.portaldasfinancas.gov.pt, seleccionando a opção "Serviços - Entregar - Declarações - IRS". Se pretender prestar qualquer esclarecimento poderá fazê-lo através do mesmo site, seleccionando a opção "Serviços - Consultar - Divergências".

Com os melhores cumprimentos,

O Director-Geral dos Impostos,
José António de Azevedo Pereira.


O que me responderam foi automatizado, quiçá já a fazer conta com o que lá vinha, metendo a cara pró lado e a cagar para a porcaria que dali viesse:



Portem-se bem, que o Estado partirá do princípio que vos portastes mal. Principalmente se ganhastes pouco.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O Anúncio

Esta achei-a interessante. Encontrei o anúncio abaixo no Facebook. Caso o leitor não saiba, estes anúncios são filtrados de modo a que sejam apontados ao público alvo, neste caso os irlandeses. Oferecem, portanto, uma linda villa portuguesa (uma casa de campo portuguesa, com certeza) ideal para... a recuperação do alcoolismo. Belo!

Ainda há quem esteja convencido de que a Irlanda não tem um problema de álcool maior do que Portugal?



segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O Palhaço


Gostei muito de ler o texto sobre os palhaços que se segue, da autoria do nosso conhecido Mário Crespo. O azedume com que é escrito é por demais evidente, e não se limita a criticar só um palhaço, mas muitos. E para quem pensa que se safa da denominação, tenha bem cuidado, pois ao olhar para os seus próprios botões pode cair na partida do jacto de água do palhaço.

Eis pois, o texto (fonte, Jornal de Notícias).

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Cantoria

Ontem, como já aqui referira em momento oportuno, dediquei-me à causa Cork Simon Community por uma ou duas horas, cantando com um grupo canções de Natal na rua. Peguei na guitarra de Coimbra e fui improvisando umas melodias tentando não fazer muito má figura. Mas, neste meu objectivo de ser sossegadamente discreto, eis que aparecem duas peças daquelas que me deixaram ficar discreto, é verdade, mas nada sossegado.

A primeira, um mendigo que se dizia pertencente ao movimento, pedia-nos uns trocos à descarada. A nós, que estávamos a pedir trocos que provavelmente lhe seriam destinados. O homem estava a ser bastante incómodo para com todos, principalmente os que seguravam os potes das ofertas. Daí que um senhor voluntarioso de fora do grupo decide tomar parte da situação e pega no mendigo pelos colarinhos. Muitos de nós suspiraram de alívio face ao afastamento de tamanho maçador. No entanto, convenhamos que, quando mirámos de soslaio o senhor voluntarioso a imobilizar violentamente o pobre mendigo contra o chão, desejáramos que afinal ele ainda ali estivesse a chatear. Continuámos a tocar e a cantar, tentando não expressar demasiado o nosso choque.

O coro sentiu-se que nem peixe em água. Cantou e sentiu-se confortável o suficiente para começar a cantar sem esperar pelo tom dos instrumentos. Os instrumentistas, esses sim, estavam confusos com tudo aquilo e eram claramente o elo mais fraco. Se uns continuavam a tocar no tom que tinha sido acordado, já outros tentavam apanhá-lo a partir da melodia que pairava. Nessa altura, às cantadeiras polacas, irlandesas, checas e brasileiras, já só lhes faltava encontrarem parceiro para dançar. Batiam palmas e tocavam pandeireta enquanto sopravam nas flautas umas notas quaisquer. Outros havia ainda que arrumavam o instrumento na sacola, desculpavam-se da garganta e do frio e iam embora. A uma dada altura, finalmente, os instrumentistas acertaram com o tom. Tudo estava a correr bem e a musiquinha era mesmo bonita.

Mas apareceu a segunda peça. Ninguém diria nada da menina dos seus 20 anos, bem vestida e de cara alegre. Coloca-se exactamente ao meu lado, agindo como se pertencesse ao grupo há mais tempo do que nós, e começa a cantar em alta voz. Mas que voz! Mais alta do que qualquer uma das outras cantoras empenhadas. Mas esta voz não era normal. Tinha o cunho de deixar toda a gente a olhar para a personagem de cuja boca saía. Incrível e perfeitamente desafinada, mas tão perfeitamente desafinada que, após segundos de caos e confusão na minha cabeça e nos meus ouvidos, dei com toda a gente na rua a olhar para ela com cara de quem se pergunta "onde é que esta tipa estacionou a nave?" Ficou mais do que visto que era ela a estrela, e algumas das nossas cantadeiras invejosas acabaram por sugerir que atravessássemos a rua. Claro, toda a gente concordou, mas a estrela da companhia também decidiu acompanhar-nos. Ao fim de apenas 5 minutos é um dos nossos que acaba por pegar-lhe no pescoço e afastá-la dali. E ela bateu-se para poder ser readmitida durante vários minutos. Conseguiria uma segunda oportunidade se o frio e o cansaço não nos vencesse.

Fui para casa com a sensação de dever cumprido. Hoje já me sondaram para ver se eu faria mais destas. E eu, reticente... we probably need more than one rehearsal. Mais tarde recebi um email com as contas finais da acção de caridade: alguns 350€ em menos de duas horas. Bolas! Qualquer dia pego num bêbedo crónico e numa voz de rouxinol daquelas, perco o amor aos meus ouvidos e faço-me músico de rua profissional!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Problemas Mentais

Sou coagido a pensar que a maioria dos italianos tem problemas mentais.

Primeiro, um doente mental aproveita uma miniatura de Il Duomo para partir a cara ao presidente do Consiglio italiano.

De seguida, outro tipo com um problema mental, segundo supostas palavras dos responsáveis pela segurança do Ministro, tenta invadir o edifício onde este se encontra a recuperar das mazelas sofridas. O tipo tinha dois sticks de hóquei escondidos no carro, não fosse dar-se o acaso de conseguir raptá-lo e dirigi-lo para dentro do veículo, partindo a cara ao líder italiano pela segunda vez em pouco tempo.

Havendo atentados de doentes mentais contra a saúde do ministro, posso facilmente deduzir que mais como estes haverá espalhados pela Itália fora.

Mas, claro, este número de doentes mentais é insignificante face ao resto dos que existem naquele país.

É que, primeiro e acima de tudo, é preciso ser-se doente mental para se votar naquele ministro italiano.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Natal na Irlanda, em Casa

Pela segunda vez seguida, o Natal vai ser passado em plena Irlanda. Com uma diferença, no entanto. Diz-se que se Maomé não vai à montanha, virá a montanha a Maomé. Pois bem, assim será. A minha família virá até Cork, onde permanecerá uns dias. Haverá, portanto, uma consoada bem interessante, espero eu.

E aproveitarão para visitar o país Esmeralda, onde nunca haviam estado antes. Rica prenda recíproca, digo eu!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Christmas Carols


Ontem acedi ao pedido feito pela directora de Recursos Humanos da minha empresa para tocar canções de Natal no próximo dia 17 de Dezembro. Um gesto nobre inserido numa acção de caridade, razão por que pensei "e porque não aceitar a proposta?". Disse que sim. Ela perguntou-me o que é que eu podia tocar; eu disse-lhe "guitarra portuguesa" e ela responde "fantástico" e eu reajo, para comigo "em que é que eu me fui meter..."

Primeiro problema: mais de metade das cançõezinhas de Natal que constam da lista são-me completamente desconhecidas. Aprendi muitas, é verdade, mas são em língua portuguesa. Vamos lá ver no que é que isto dá, principalmente sabendo que os tocadores de guitarra são poucos e eu não sei se eles percebem o suficiente para me dar alguma ajuda.

Segundo problema: eu disse-lhe que tocaria guitarra portuguesa. Eu estou a aprender guitarra portuguesa, não sou propriamente um expert nem consigo, pelo menos com a facilidade de uma viola ou de um bandolim, improvisar notas e acordes com à-vontade. Porque é que eu lhe propus tocar com a guitarra portuguesa?

Terceiro problema: chuva. É possível que chova. Eu não gosto de tocar à chuva. Que é que se pode dizer? Fico molhado! E, para mais, o que é pior, a guitarra pode ficar molhada! Tocar à chuva duas horas para pedir uns trocos é coisa que eu nem quero imaginar poder estar a fazer dentro de pouco mais de uma semana.

Às vezes pesamos os prós e os contras e decidimo-nos por algo. Mas desta vez nem pensei muito bem em contras. E voltar atrás na palavra seria muito mau. Por isso, a decisão está tomada. Mas ai de alguém que me falar no conforto da casa, na lareira acesa e nos pés descalços em cima dos chinelos apanhando com o bafo quente das chamas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Safanão

Era previsível. Disse, aquando do minha primeira mensagem neste blogue, que poderia haver uma época apoteótica de frenética actividade e, eventualmente, o apagar da chama de um homem que deixou de ter Também Tu como novidade ou, tão simplesmente, a preguiça do próprio em exprimir aquilo que lhe pareceu um padrão de vida aborrecido e, por isso mesmo, indigno de confissão pública. Hoje, dou uma lapada na minha própria face.

Muito haveria que contar desde que deixei de submeter as minhas impressões sobre o que me rodeia. Mas, sobre o que ficou por contar, nada tenho a afiançar. A não ser que tal aconteça resultado dos vários pares de cerejas que puxo da cesta.

A primeira tarefa desinteressante a assinalar é adicionar o blogue aos meus favoritos (ninguém me mandou formatar o computador em tempo de inactividade). A partir daí, espero que toda e qualquer tarefa desinteressante possa parecer útil ou agradável a quem tenha bontade de ler o Também Tu.

Vamos lá a isso!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Senhora do Almortão

Perdoe-me quem vem cá muito e tem visto pouco. Hoje cá meti a posta, finalmente. Depois de certas discussões políticas que me incomodaram a alma, achei importante deixar patentes os seguintes versos:

Senhora, senhora do Almortão
Senhora do Almortão
Ó minha linda raiana
Virai costas, virai costas a Castela
Virai costas a Castela,
Não queirais ser castelhana.

Senhora, senhora do Almortão
Senhora do Almortão
A vossa capela cheira
Cheira a cravos, cheira a cravos cheira a rosas
Cheira a cravos, cheira a rosas
Cheira à flor da laranjeira.

Senhora, senhora do Almortão
Senhora do Almortão
Eu p'ró ano não prometo
Que me morreu o amor, que me morreu o amor
Ando vestida de preto.

domingo, 2 de agosto de 2009

Coimbra Hoje

Eu já me queixara da Coimbra dos anos 90, de que poucos morcegos tresloucavam a cidade, porquanto ondas incomuns de japoneses tirassem fotografias indiscriminadamente sobre tudo quanto vestia negro. Sortudos esses, que chegaram uns anos antes do completo folclorismo conimbricense sazonal. Hoje chegou-me um par de turistas a mandar vir porque Coimbra de Universidade tem muito mas de estudantes não tem nada. Contrapus com a parte das férias. Que há poucos. E que os poucos que há estão a estudar. Mas eu sei que naquela altura era outra coisa. Coimbra no Verão a arder vestia capa e batina. De Coimbra fica, hoje em dia, o mármore. Porque a pele, não há prova viva de que a haja. Os estudantes acabaram. Agora existem as "pessoas que estudam". Que me perdoe quem lute contra a maré, mas não há um único estudante de Coimbra hoje em dia que mereça esse mesmo respeito.