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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O Fim do Uivo

Aparentemente, o Alcateia Teatro não aguentou o peso do meu abandono, e afundou-se no seu projecto. Tenho muita pena que tal acontecesse. Os meus pedidos, aquando da minha despedida, foram feitos no sentido de evitar algo previsível, que seria a dissolução do grupo. Mas as causas apanharam-me mais ou menos de surpresa. Supunha-se que fosse por outra coisa qualquer, tudo, menos devido à própria direcção da Associação de Artistas e Artesãos Oureenses.

Sei que a vida não está fácil para ninguém, e que o dinheiro não abunda. Mas deixar que estes fantásticos miúdos abandonem o barco nunca é positivo. Desejo sorte para as lides teatrais de todos os que para elas despertaram na Alcateia, e que tenham, no mínimo, mais afazeres dramáticos do que eu, que por cá me encontro sem nada de jeito.

Eu, na eventualidade de um regresso a Portugal, não deixarei de contactá-los. Sei bem o que valem.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Despedidas III


Despedi-me finalmente do Alcateia Teatro. Agradeço a todos este ano e pouco que estivemos juntos. Espero encontrá-los de novo. Que muitos pastéis de nata povoem a salinha até cairem nos estômagos esfomeados dos actores, que não se partam mais garrafas, copos e cadeiras de rodas. Que a Alice faça a bela da festa quando chega ao nosso sítio (ainda posso chamá-lo nosso? posso?).

Que continuem a aprender como sempre o fizeram até hoje. Que não se desorientem, que me deixem pelo menos ver uma peçazinha, algo, para poder sentir-me bem com a Alcateia mais uma vez. Muitos lobos sejam apanhados, muitos lobos se safem. Não contem mais estórias de terror: assustam as pessoas! Mas se as contarem, ao menos lancem uns dados primeiro, evitando a cera das velas.

Eu sei que estive um pouco cabisbaixo durante o jantar. Foi um estranho torpor de quem se verá longe de algo que adora. Mas quero que saibam (dou comigo, aos poucos, a falar convosco, se isto é normal...) que, no fundo, no fundo, sorri sempre. Levo-vos e às fotos (ainda não li nada do que escreveram em álbum tão literário!) que me ofereceram, levo a vossa postura, a vossa voz, as vossas marcações cénicas, o vosso entusiasmo. Levo só um bocadinho, para que vocês nunca percam nada disto.

Até à vista! Muita merda!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Do Paraíso ao Purgatório

Sexta-feira houve teatro. Depois de dias e dias de ensaio, lá aconteceu o dia a sério. Não estive muito nervoso, como da primeira vez, mas sim ansioso. Ansioso porque não sabia como me ia sentir depois da peça, já que quanto ao teatro propriamente dito, confiava nos actores o suficiente.

Tudo correu bem. Imperfeição daqui, melhoria acolá, as coisas do costume. No fim deram-me um pastel de nata com uma vela do mesmo tamanho enfiada lá dentro, e senti necessidade de discursar. Ainda não foi a despedida, afinal. Terça-feira haverá um jantar proporcionado para isso mesmo.

Já quanto à ansiedade que me percorria o corpo antes da peça iniciar, bom, confirmou-se a minha alteração comportamental. Fumei uns cigarros, melancólico, à porta do Cineteatro. O que vale é que ainda havia muito que fazer...

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Paraíso


O Paraíso
, escrito por Miguel Torga, vai ser a minha última actividade dramática por terras lusitanas (quero continuar a imaginar-me nas lides teatrais no Eire, por muito absurdo que isto possa parecer). Infelizmente ou não, não sou actor nesta peça, mas sim encenador, o que faz com que não me tenha "despedido" de um palco da forma que eu gosto. Os actores e actrizes, esses, são excelentes e jovens. Aprenderam comigo e com eles próprios, durante mais de um ano, sobre fazer teatro e sobre saber ser um grupo de teatro.

Em resumo, esta sexta-feira, dia 28, O Paraíso voltará à cena, acarinhado pelo Alcateia Teatro, por ocorrência do evento Cenourém, em... Ourém, claro. Como tal, o local da realização de tal evento não será outro que não o Cineteatro Municipal daquela cidade. Depois disso, será a despedida - adivinho que me vá custar muito, sinceramente - e um até à próxima (mais uma vez, quero continuar a imaginar-me a reingressar no Alcateia Teatro, nem que ele se mude para o Eire, por muitíssimo mais absurdo que isto possa parecer).

E, continuando a falar destas coisas de drama, muita gente conheço a quem gostava de mandar um abraço, mas cujo contacto se perdeu ou simplesmente estão longe demais. Thíasos, Angellus, Skia e outros que mais... até sempre!